Lindas & Noivas

Após o pedido oficial de casamento e marcada a data do grande dia, com certeza o que toda noiva sonha é com o seu belo vestido.

Aquele que a faça se sentir especial! Diferente de outro traje social de luxo, o vestido de noiva tem um significado relevante para a cultura. Mais do que uma veste nupcial, o vestido de noiva resgata pedaços da cultura, da religiosidade e da história da humanidade. Seus tecidos, volumes e complementos, simbolizam a magia que envolve a união dos cônjuges e demonstram a profundidade do conceito de Amor.

Ao longo da história, o vestido de noiva foi experimentando diversas formas, cores e feitios. Na Roma antiga, os vestidos de noiva eram um elemento central no ritual religioso, e no Egito o branco era a cor base de quase todas as cerimônias.
Na idade média, a cristianização do ocidente trouxe novos costumes matrimoniais e com a coroação de Carlos Magno, no ano 800 d.C tornou o casamento um sacramento religioso, com forte carga social e simbólica, carga esta, que em grande parte perdura até os nossos dias. Neste momento, a união dos cônjuges passou a se dar através de uma cerimônia religiosa que sacramentava a união de duas famílias e de seus patrimônios.

O vestido de noiva surgiu neste período com a função específica de apresentar para a comunidade as posses da família da moça. Sua simbologia era a do poder, e sua função era social. Os bordados predominavam nos vestidos de casamento da nobreza.

A noiva era apresentada com um vestido vermelho ricamente bordado, e sobre a cabeça um véu branco bordado com fios dourados. O vermelho representava a capacidade da noiva de gerar sangue novo e continuar a estirpe. O véu branco falava da sua castidade.

A primeira noiva a se vestir de branco foi Maria de Médici ao se casar com Henrique IV, herdeiro da coroa francesa. Maria, princesa italiana, mesmo sendo católica não comungava da estética religiosa espanhola, e assim, se mostrou em brocado branco como prova da exuberância das cortes italianas. O vestido trazia um decote quadrado com o colo à mostra, o que causou grande escândalo perante o clero.

A Revolução Francesa aboliu o padrão de elegância luxuoso que existia desde a Idade Média e o substituiu por um padrão mais discreto, puritano e burguês de origem inglês. Este padrão valorizou a pureza de caráter como a maior qualidade da noiva, projetou sobre ela a cor branca como símbolo da sua inocência virginal.

Em 1854, o papa Pio IX proclamou que as noivas deveriam demonstrar através do traje branco a Imaculada Concepção assim como Maria a Imaculada. Esta fala papal estabeleceu para a noiva do Romantismo um padrão católico que se estende até os nossos dias no imaginário popular delegando à virgindade um papel primordial para a qualidade da noiva.

A partir da segunda metade do século XIX, o Iluminismo transferiu para o branco a ideia de luz e de abundância, o branco como claridade e como a soma de todas as cores. O branco continuou a representar a pureza e a castidade, sendo agregada ao traje a flor de laranjeira como símbolo de fertilidade.

Foi a partir do século XIX que os vestidos de noiva ganharam significado e simbolismo, e o branco foi impulsionado pela Rainha Vitória como nova tendência; embora só se tenha popularizado a partir do século XX.

No século XX o traje nupcial acompanhou toda a evolução da moda, acompanhando o sistema de alta costura que vestiu todas as princesas do século e foi divulgado pelas revistas e figurinos de moda e posteriormente pelo cinema e pela televisão.
Em 1956, o vestido de casamento de Grace Kelly com o príncipe Rainier de Mônaco, em que a atriz foi considerada uma das noivas mais bonitas de sempre, continua a ser referencia de moda e apontado como um dos vestidos mais bonitos.
Já na década de 60 a moda foi tomada pelo sistema de prêt-à-porter. Neste período o rigor cerimonial caiu, mas a carga simbólica não diminuiu, apenas o tema mudou diferente da representação patrimonial das famílias. A noiva dos anos 60 mostrou o desejo de viver uma relação matrimonial sustentada no afeto e no desejo amoroso que pode unir um homem a uma mulher como parceiros de um ideal Hippie.

A recuperação da força da cerimônia matrimonial como a realização do sonho da moça que encontra seu príncipe encantado, se deu nos anos 80 com o casamento de Lady Diana Spencer com o Príncipe de Gales, futuro rei da Inglaterra em 1981.

O matrimônio como instituição renasceu na década de 90 e da revolução que transformou costumes durante a década de 60 herdou o direito de acrescentar às suas intenções o desejo de sucesso amoroso para ambas as partes.

Os atuais vestidos de noiva têm sido apresentados nas cores da paixão, da pureza e adornados de múltiplas flores remetendo a todo tipo de fertilidade amorosa. Mais do que nunca, estes vestidos têm sido apresentado com tecidos luxuosos, brilhantes e bordados e sua alta carga simbólica continua a representar o papel da mulher dentro da instituição do casamento, hoje vista não como representação do patrimônio familiar paterno, mas como uma parceira à altura das competências do marido como provedor.

Contudo em outras culturas o vestido de noiva não segue o padrão adotado no ocidente.

Na China é costume a noiva ter ao menos três vestidos para serem usados durante a festa. Primeiro, há o tradicional qipao ou cheongsam, que é geralmente vermelho, pois a cor simboliza sorte na cultura chinesa.

Na Índia as noivas usam muitas joias e mãos pintadas. Antes de uma noiva indiana se casar, suas amigas e parentes decoram suas mãos e pés com desenhos elaborados com henna chamados “menhdi”.

Na Coréia os casamentos tradicionais, representa a união de duas famílias, ao invés da união de dois indivíduos. Como tal, o evento foi muitas vezes chamado de Taerye (Ritual Grande).

A cerimônia é repleta de valores confucianos, embora os coreanos tenham mantido vários aspectos da cerimônia tradicional, como a utilização do Hanbok pela noiva, as cerimônias mais modernas assemelham-se mais aos casamentos ocidentais mais tradicionais.

Para finalizar, segue um resumo da história do vestido de noiva como conhecemos hoje:
1910 começa-se a usar o branco, não como sinônimo de pureza, mas como expressão de riqueza
Uma década mais tarde, as noivas libertaram-se e começam a mostrar as pernas com vestidos de linha reta. É o auge do veludo branco.
Em 1930 revive-se o estilo vitoriano com mangas em balão e linhas lânguidas.
Nos dourados anos 50 a moda tinha o selo Christian Dior, e glamour, a fantasia, e o luxo desenfreado inspiraram o traje das noivas.

Na década dos anos 60 viveu-se uma autentica revolução sexual. As minissaias estiveram na moda nupcial. Flores naturais nos longos cabelos e véus mais curtos.

Em 1970 os casamentos recuperaram a sua importância e em 1980 o traje que simbolizava a riqueza da época era o de Lady Di.

Hoje em dia, os vestidos de casamentos deixam-se influenciar por diferentes correntes, ditadas por desenhadores que buscam a sua inspiração nas passarelas de alta costura de Nova York e Paris.

Fontes de pesquisa:
http://www.casamentoclick.com/
http://www.fashionbubbles.com
http://todaela.uol.com.br

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